Sabe aqueles dias em que a gente quer uma comida com cara de abraço, mas sem precisar passar a tarde inteira na cozinha? Pois é exatamente aí que entra o escondidinho de costela: ele chega com aquele perfume de comida bem feita, tem sabor de domingo em família e ainda faz a gente parecer muito mais organizada do que realmente foi.
E vou te contar um segredo de cozinheira que já queimou panela e já salvou jantar com um “jeitinho”: o escondidinho é o tipo de receita que perdoa, recompensa e brilha. Você pode usar costela assada do churrasco, costela cozida na pressão, ou até aquela costela que você fez “pra congelar” e… esqueceu no freezer. No final, tudo vira um recheio suculento e um purê tão cremoso que dá vontade de comer de colher.

Ingredientes do Escondidinho de Costela
Para a costela desfiada (recheio)
- 1,2 kg de costela bovina (pode ser em pedaços, com osso)
- 1 cebola grande picada
- 4 dentes de alho picados
- 2 tomates maduros picados (ou 1 lata de tomate pelado)
- 2 colheres (sopa) de extrato de tomate
- 1 colher (chá) de páprica defumada (opcional, mas faz bonito)
- 1 folha de louro
- Sal e pimenta-do-reino a gosto
- Cheiro-verde a gosto (salsinha e cebolinha)
- 2 colheres (sopa) de óleo ou azeite
- Água quente quanto baste (para a pressão)
- Opcional para um toque especial: 1/2 xícara de chá de requeijão cremoso ou cream cheese
Para o purê (cobertura clássica)
- 1 kg de mandioca (aipim/macaxeira) descascada e em pedaços
- 2 colheres (sopa) de manteiga
- 1/2 xícara de chá de leite (pode ajustar)
- Sal a gosto
- Noz-moscada a gosto (opcional)
Para montar e gratinar
- 200 g de muçarela ralada ou fatiada
- 50 g de queijo parmesão ralado (opcional, mas dá crostinha)
- 1 colher (sopa) de manteiga para untar a forma
Antes de ir pro fogão, deixa eu te situar direitinho: você vai precisar de panela de pressão (ou uma panela comum com paciência extra), uma assadeira/refratário, um amassador ou garfo forte para o purê, e uma colher de pau pra fazer aquele refogado esperto. No tempo: conte cerca de 40–50 minutos para cozinhar a costela na pressão, mais 20 minutos para cozinhar a mandioca, e uns 15–20 minutos de forno para gratinar. No total, dá algo em torno de 1h20 a 1h40, mas com várias partes acontecendo enquanto a panela trabalha por você.
Modo de preparo da receita
1) Fazendo a costela ficar desmanchando (sem sofrimento)
- Sele a costela: na panela de pressão (sem a tampa), aqueça o óleo e coloque os pedaços de costela. Deixe dourar de verdade, sem pressa. É aqui que nasce o sabor. Vá virando para pegar cor em todos os lados.
- Refogue a base: junte a cebola e mexa até começar a ficar transparente. Entre com o alho e refogue só até perfumar (não deixa queimar, senão amarga).
- Tomate e temperos: coloque os tomates picados e o extrato de tomate. Mexa, raspando o fundo da panela para soltar aquela “borra” dourada (isso é ouro culinário). Acrescente páprica, louro, sal e pimenta.
- Pressão com carinho: cubra com água quente até quase alcançar a carne (não precisa afogar tudo). Tampe a panela. Quando pegar pressão, abaixe o fogo e conte 40 a 50 minutos.
- Desfie como uma rainha: desligue, espere a pressão sair naturalmente (ou com segurança), abra a panela e veja se a carne está soltando do osso. Tire os ossos e desfie a costela com dois garfos. Se tiver muito caldo, deixe reduzir um pouco sem tampa até virar um molho encorpado.
- Finalize o recheio: acerte sal e pimenta. Misture cheiro-verde. Se quiser aquele recheio mais cremoso e “malandro”, adicione requeijão ou cream cheese e mexa até incorporar.
Dica de cozinha vivida: se a costela tiver gordura em excesso, você pode retirar um pouco com uma colher, mas sem exagerar. Um tantinho de gordura é parte do encanto, é o que deixa a carne suculenta e o recheio com cara de comida de verdade.
2) O purê de mandioca que vira nuvem
- Cozinhe a mandioca: coloque os pedaços de mandioca numa panela com água e sal. Cozinhe até ficar muito macia, a ponto de desmanchar. Isso pode levar 15 a 25 minutos, dependendo da mandioca.
- Retire os fiapos: escorra e, com a mandioca ainda quente, remova aquelas fibras do meio. Parece detalhe bobo, mas isso muda o purê de “bom” para “cremoso de respeito”.
- Amasse e ajuste: amasse bem com garfo/amassador. Volte pra panela em fogo baixo.
- Manteiga e leite: junte manteiga e mexa até derreter. Vá colocando o leite aos poucos, mexendo, até atingir um purê bem cremoso e espalhável. Tempere com sal e noz-moscada.
Se você gosta de purê mais firme, use menos leite. Se quer aquele purê que escorre devagarzinho e abraça o recheio, capricha um pouco mais no leite. Só vai com calma pra não virar sopa.
3) Montagem: a parte que dá orgulho
- Pré-aqueça o forno a 200 °C.
- Unte o refratário com manteiga.
- Primeira camada: espalhe metade do purê no fundo, alisando com a colher.
- Recheio generoso: coloque a costela desfiada por cima. Aperte de leve para nivelar.
- Queijo no meio (opcional, mas maravilhoso): uma camada fina de muçarela aqui deixa a mordida ainda mais feliz.
- Cubra com o restante do purê: alise bem, como quem faz carinho numa coberta.
- Final do espetáculo: cubra com muçarela e, se quiser, parmesão por cima para gratinar e formar aquela casquinha dourada.
- Forno: leve para gratinar por 15 a 20 minutos, ou até borbulhar nas bordas e dourar em cima. Se o seu forno tiver grill, use nos últimos 3 a 5 minutos, mas fique de olho para não passar do ponto.
4) Descanso estratégico
Tire do forno e espere 5 a 10 minutos antes de cortar. Eu sei que dá vontade de atacar com a colher imediatamente, mas esse descansinho ajuda o escondidinho a firmar e ficar bonito na hora de servir.
Sugestões de acompanhamento e ocasiões ideais
Agora, vamos falar do que eu chamo de “elenco de apoio”, porque escondidinho é estrela, mas todo show fica melhor com companhia certa.
Acompanhamentos que combinam demais
- Arroz branco soltinho: simples, honesto e perfeito para aproveitar o molhinho da costela.
- Vinagrete ou salada de folhas com limão: dá acidez, corta a gordura e deixa tudo equilibrado.
- Couve refogada com alho: fica com cara de comida brasileira raiz.
- Farofa crocante (de bacon, de cebola, de banana… você manda): dá textura e ainda faz a mesa parecer festa.
- Pimenta: uma molhinha de pimenta caseira ou pimenta-do-reino moída na hora dá aquele “oi, cheguei”.
Ocasiões em que ele brilha
- Almoço de domingo (óbvio).
- Jantar caprichado no meio da semana, quando você quer “um agrado”.
- Reunião de família, aniversário em casa, encontro de amigos.
- E também é maravilhoso para montar e assar depois: você deixa prontinho na geladeira e só gratina quando chegar a hora.
Variações espertas (para você adaptar sem medo)
Porque cozinhar é isso: seguir a receita, mas com liberdade de cozinheira que conhece sua própria cozinha.
Troca do purê
- Batata: clássico, fica leve e todo mundo ama.
- Mandioquinha: sabor mais adocicado e textura aveludada.
- Abóbora cabotiá: combina muito com costela, dá um toque diferente e fica lindo.
- Purê misto: mandioca + batata, para equilibrar cremosidade e leveza.
Incrementos no recheio
- Um toque de barbecue ou shoyu (bem pouco) pode dar profundidade.
- Queijo coalho em cubinhos no meio: surpresa boa.
- Cebola caramelizada misturada na costela: dá um contraste delicioso.
Para congelar (sim, ele congela bem)
Monte o escondidinho no refratário (se for próprio para freezer), espere esfriar e congele bem embalado. Para assar, leve ao forno ainda congelado, coberto com papel-alumínio, até aquecer por dentro, depois descubra e gratine. Se estiver na geladeira descongelado, o tempo de forno é bem menor.
Conclusão
O escondidinho de costela tem esse talento raro: ele junta o melhor da cozinha caseira com um ar de prato especial, daqueles que fazem a casa cheirar bem e a mesa virar ponto de encontro. É comfort food brasileira, com recheio suculento, purê cremoso e aquele queijo gratinado que faz qualquer um aparecer na cozinha “só pra dar uma olhadinha”.
E no fim, é isso que dá gosto: cozinhar um prato que alimenta, aproxima e cria história. Faz esse escondidinho para um almoço caprichado, para receber gente querida ou simplesmente para você mesma se tratar com carinho. E quando alguém perguntar “quem fez?”, você só responde com naturalidade: foi nada, coisa simples. Só não conta pra ninguém o quanto fica maravilhoso.




