Sabe aqueles dias em que a gente quer comida de verdade, com cara de casa cheia, panela fumegando e cheiro que faz vizinho sorrir sem entender o motivo? Pois é. O Baião de Dois Saboroso é exatamente esse tipo de receita: aconchegante, robusta, cheia de personalidade e com um temperinho que parece contar história. É prato que não pede licença, chega chegando e já vai ocupando espaço no coração.
E o melhor é que, apesar de ter fama de “comida de respeito”, ele não tem nada de complicado. O baião é esperto: aproveita o que a gente costuma ter na despensa, respeita o tempo de quem cozinha e ainda rende uma refeição completa, perfeita para reunir família, amigos ou simplesmente tratar você mesma como realeza num almoço de terça-feira. Vamos fazer? Puxa a cadeira, separa a panela e vem comigo.

Ingredientes do Baião de Dois Saboroso
Para o feijão (se for cozinhar em casa):
- 1 xícara (chá) de feijão-de-corda (ou feijão verde / fradinho)
- 1 folha de louro (opcional)
- Água suficiente para cozinhar
- Sal a gosto (coloque no final)
Para o baião:
- 2 xícaras (chá) de arroz (branco ou parboilizado)
- 3 xícaras (chá) de feijão cozido com um pouco do caldo (aproximadamente)
- 200 g de queijo coalho em cubos (ou em fatias grossas)
- 150 g de bacon em cubinhos
- 1 linguiça calabresa em rodelas (opcional, mas dá um charme)
- 1 cebola grande picadinha
- 4 dentes de alho picados (ou amassados)
- 1 pimentão pequeno picado (verde, vermelho ou amarelo)
- 2 tomates maduros picados (ou 1/2 lata de tomate pelado)
- 1/2 colher (chá) de cominho (opcional)
- 1 colher (chá) de colorau ou páprica doce
- 2 colheres (sopa) de manteiga de garrafa (ou manteiga comum)
- 2 colheres (sopa) de cheiro-verde picado
- 1/2 xícara (chá) de coentro picado (opcional, mas bem tradicional)
- Pimenta-do-reino a gosto
- Pimenta de cheiro picadinha a gosto (opcional)
- Sal a gosto
Para finalizar (opcional, mas recomendado):
- Mais um punhado de queijo coalho para dourar por cima
- Um fio extra de manteiga de garrafa
- Cheiro-verde ou coentro para perfumar
Antes de ir para o fogo, deixa eu te contar o que vai facilitar sua vida: se você já tiver feijão-de-corda cozido (daqueles que sobram do dia anterior), essa receita fica ainda mais rápida. Mas se não tiver, também não tem drama — a gente cozinha, tempera, e segue o baile.
Agora, sobre utensílios e tempo de preparo: você vai precisar de uma panela média para o feijão (se for fazer do zero), uma panela grande e de fundo grosso para o baião (tipo caldeirão), uma colher de pau e, se quiser dar o toque final perfeito, uma frigideira para dourar o queijo coalho. O tempo total gira em torno de 45 a 60 minutos (se o feijão já estiver cozido, conte 30 a 40 minutos). Rendimento? Serve tranquilamente 4 a 6 pessoas, dependendo do apetite — e baião costuma chamar apetite, viu?
Modo de preparo da receita
1) Cozinhando o feijão (se necessário)
- Lave o feijão-de-corda e coloque na panela com água suficiente para cobrir e sobrar uns dois dedos.
- Se quiser, adicione uma folha de louro. Leve ao fogo médio e cozinhe até ficar macio, mas sem desmanchar.
- Na panela comum, pode levar 25 a 35 minutos (dependendo do grão).
- Na pressão, costuma ficar pronto em 10 a 15 minutos depois que pega pressão.
- Quando estiver cozido, reserve o feijão com um pouco do caldo. Esse caldinho é ouro: ele é o que vai “abraçar” o arroz e deixar o baião suculento.
- Ajuste o sal só no final, para o grão não endurecer.
2) Preparando a base de sabor (a parte que faz a cozinha virar cenário de novela)
- Na panela grande, coloque o bacon e deixe fritar em fogo médio até soltar gordura e ficar douradinho.
- Se estiver usando calabresa, entre com ela agora e doure também.
- Abra um espacinho no meio da panela (aquele truque de cozinheira esperta) e adicione a manteiga de garrafa.
- Junte a cebola e refogue até ficar translúcida e perfumada.
- Entre com o alho e mexa por uns 30 segundos, só até ele perfumar (alho queimado é fofoca ruim: estraga a história).
- Acrescente o pimentão e refogue mais um pouquinho, até ele começar a amolecer.
- Adicione o tomate, o colorau (ou páprica) e, se for usar, o cominho. Mexa bem e deixe cozinhar por uns 3 a 5 minutos, até virar um refogadinho bem “molhado” e vermelho bonito.
3) O arroz entra em cena
- Coloque o arroz na panela e misture para envolver os grãos nessa base temperada. Isso é importante: dá sabor por igual.
- Agora vem o pulo do gato: acrescente o feijão cozido com parte do caldo.
- Misture com cuidado e ajuste o líquido: a ideia é ter caldo suficiente para cozinhar o arroz, mas sem transformar tudo em sopa.
- Em geral, para 2 xícaras de arroz, você vai precisar de algo como 4 xícaras de líquido no total (entre caldo do feijão + água).
- Se o seu feijão veio com pouco caldo, complete com água quente aos poucos.
- Tempere com pimenta-do-reino e prove o sal com calma. Lembre que bacon, calabresa e queijo já carregam sal.
4) Cozinhando até ficar no ponto certo
- Deixe ferver em fogo médio, mexendo só uma vez no começo para não grudar.
- Quando começar a secar, abaixe o fogo, tampe parcialmente e deixe cozinhar até o arroz ficar macio.
- Se perceber que está secando rápido demais e o arroz ainda está duro, adicione um pouquinho de água quente (bem aos poucos) e siga.
- O ponto perfeito do baião é úmido, ligado, mas sem excesso de caldo. É aquela textura que você serve e ele cai no prato com corpo, sem esparramar.
5) O queijo coalho: a estrela que entra no final para arrancar aplausos
Agora você tem duas opções, e eu vou te contar as duas porque cada casa tem seu jeitinho:
Opção A: Queijo misturado no baião (cremosidade e sustância)
- Com o fogo já baixinho e o arroz cozido, adicione os cubos de queijo coalho.
- Misture delicadamente e tampe por 2 minutinhos para ele aquecer e começar a amaciar.
- O queijo fica com textura firme por fora e mais macio por dentro. Uma maravilha.
Opção B: Queijo dourado na frigideira (cheiro de feira, cara de festa)
- Aqueça uma frigideira antiaderente e doure os cubos/fatias de queijo coalho até formar aquela casquinha.
- Sirva por cima do baião pronto.
- Fica lindo, perfumado e com contraste de textura.
Eu, se estou caprichando para visita, faço a opção B. Se é dia de conforto e preguiça boa, vou de opção A e sou feliz igual.
6) Finalização com cheiro-verde e coentro (a assinatura do prato)
- Desligue o fogo e coloque cheiro-verde e, se gostar, coentro.
- Dê um fio de manteiga de garrafa por cima, misture levemente e tampe por 2 minutinhos para perfumar.
Pronto. Agora é o momento de servir e observar o silêncio respeitoso de quem prova a primeira garfada.
7) Sugestões de acompanhamento e ocasiões ideais
O Baião de Dois Saboroso é completo, mas ele adora uma companhia. Aqui vão combinações que fazem sentido de verdade:
Acompanhamentos que casam perfeito
- Carne de sol acebolada (se você quiser elevar o nível para “almoço de domingo”)
- Frango grelhado bem temperado (para um baião mais leve)
- Ovos fritos com gema mole (rápido e imbatível)
- Salada de tomate com cebola roxa e vinagre (para cortar a gordura e refrescar)
- Vinagrete caprichado com pimenta de cheiro
- Farofa de manteiga com cebola (porque sempre cabe uma farofinha)
Ocasiões ideais para servir
- Almoço de domingo em família, quando a mesa quer alegria
- Jantar de sexta, para começar o fim de semana com comida de abraço
- Reunião com amigos, porque rende, é prático e todo mundo ama
- Marmita da semana, porque reaquece bem e fica ainda mais gostoso no dia seguinte
Conclusão
Cozinhar um Baião de Dois Saboroso é como colocar música boa na cozinha: tudo fica mais leve, mais vivo, mais gostoso. É receita que reúne o que a gente tem de mais bonito na comida caseira — simplicidade, sabor e aquela sensação de que alguém cuidou de você, mesmo que esse alguém seja você mesma com a colher de pau na mão.
E quando você serve esse prato, não é só arroz com feijão. É história, é tradição e é carinho bem temperado. Então faça, sirva com um acompanhamento do seu coração, convide quem você ama ou se presenteie sem cerimônia. Comida assim é do tipo que não sobra só no prato: sobra na memória.




