Sabe aquela sobremesa que chega na mesa e, de repente, todo mundo vira especialista? Um diz que “pavê de verdade tem que ter camada”, outro jura que o segredo é deixar na geladeira de um dia pro outro, e sempre tem alguém que pergunta se é “pra ver ou pra comer”. Pois hoje eu trouxe uma dessas receitas que fazem a família inteira se juntar em volta da travessa como se fosse final de novela: Pavê Olho de Sogra cremoso.
E olha, eu já aviso: é uma daquelas delícias que parece trabalhosa, mas na prática é só você seguir o passo a passo com carinho. O resultado é cremoso, com aquele contraste perfeito do doce de ameixa macio, o beijinho aveludado, e camadas que dão vontade de “só mais um pedacinho” até acabar. Vamos fazer juntas? Pega a travessa bonita, porque esse pavê tem presença.

Ingredientes do Pavê Olho de Sogra
Para o creme base (camada cremosa)
- 1 lata de leite condensado (395 g)
- 2 colheres (sopa) de amido de milho
- 600 ml de leite
- 2 gemas (peneiradas)
- 1 colher (chá) de essência de baunilha (opcional, mas deixa perfumado)
- 1 caixa de creme de leite (200 g)
Para o doce de ameixa
- 200 g de ameixa seca sem caroço
- 1 xícara (chá) de água
- 3 a 4 colheres (sopa) de açúcar (ajuste ao seu gosto)
- 1 pedacinho de canela em pau (opcional)
Para o beijinho cremoso (olho de sogra)
- 1 lata de leite condensado (395 g)
- 1 colher (sopa) de manteiga
- 100 g de coco ralado (prefira sem açúcar, mas pode usar o que tiver)
- 1 caixa de creme de leite (200 g)
Para montar
- 1 pacote de biscoito maisena (170 g) ou biscoito champagne (se quiser mais “cara de festa”)
- 150 ml de leite para umedecer os biscoitos
- 1 colher (chá) de baunilha ou 1 colher (sopa) de leite de coco para perfumar o leite (opcional)
Para finalizar (sugestões)
- Coco ralado por cima
- Ameixas inteiras para decorar
- Raspinhas de chocolate branco (fica elegante)
Antes de começar, deixa eu te contar o que você vai precisar de utensílios e tempo, pra tudo fluir sem estresse. Você vai usar: uma panela média (ou duas, se quiser agilizar), fouet (ou colher de pau firme), peneira (pra gemas, se você não quiser nenhum cheirinho forte), uma travessa (média ou grande), e uma espátula. O tempo de preparo ativo fica em torno de 40 a 50 minutos, e o segredo do sucesso é o descanso: mínimo de 4 horas de geladeira, mas se puder deixar de um dia pro outro, vira sobremesa de respeito.
Modo de preparo da receita
1) Comece pelo doce de ameixa (ele dá tempo de esfriar)
Em uma panela, coloque as ameixas, a água, o açúcar e, se quiser, a canela em pau. Leve ao fogo médio e deixe cozinhar por 10 a 15 minutos, até as ameixas ficarem bem macias e a calda levemente encorpada.
- Se você gosta do doce mais lisinho, pode amassar as ameixas com um garfo ou bater rapidinho no liquidificador (sem virar sopa).
- Se você ama pedacinhos, deixe as ameixas inteiras ou grosseiramente picadas.
Desligue o fogo e deixe esfriar. Doce quente em pavê é aquela cilada que derrete camadas e bagunça a travessa. Aqui a gente quer camada bonita e firme, combinado?
2) Faça o creme base bem cremoso (sem empelotar)
Numa panela ainda fora do fogo, misture o leite condensado com o amido de milho até dissolver. Esse passo é ouro: amido bem misturado no começo evita aquele drama dos gruminhos depois.
Agora adicione o leite aos poucos, mexendo sempre. Junte as gemas peneiradas e leve ao fogo médio, mexendo sem parar com o fouet. Quando começar a engrossar, abaixe um pouco o fogo e continue mexendo por mais 2 minutos, só pra cozinhar o amido direitinho e deixar o creme estável.
Desligue o fogo, acrescente a baunilha e, por último, misture o creme de leite. Pronto: um creme sedoso, brilhante, com cara de confeitaria caseira.
Dica de chefe: se formar qualquer bolinha (acontece, a vida é assim), passe o creme numa peneira. Ninguém precisa saber.
3) Prepare o beijinho cremoso (a estrela “olho de sogra”)
Em outra panela, coloque leite condensado, manteiga e coco ralado. Leve ao fogo baixo, mexendo sempre. A ideia aqui não é fazer beijinho de enrolar, tá? É um beijinho de colher, bem cremoso, que sustenta camada sem virar tijolo.
Quando você perceber que engrossou e começa a “desenhar” um caminho no fundo da panela (mas ainda está cremoso), desligue. Agora entra o truque que deixa esse pavê luxuoso: misture o creme de leite. Ele dá maciez e um toque aveludado que combina demais com ameixa.
Deixe o beijinho esfriar um pouco também, só até ficar morno. Não precisa gelar, mas também não vá montar fervendo.
4) Hora da montagem (o momento “pavê raiz”)
Escolha uma travessa média (algo como 20×30 cm funciona super bem). Separe o leite para umedecer os biscoitos. Se quiser perfumar, coloque baunilha ou um tico de leite de coco nesse leite. Fica com cheirinho de sobremesa de domingo.
Agora vamos de camadas:
Camada 1: creme base
Espalhe uma camada generosa do creme base no fundo da travessa. Isso ajuda o biscoito a “assentar” e não ficar seco.
Camada 2: biscoitos umedecidos
Umedeça os biscoitos rapidamente no leite (nada de deixar nadando; é mergulha e tira). Faça uma camada bem alinhadinha. Se quebrar um aqui e ali, sem drama: é pavê, não é vitrine.
Camada 3: doce de ameixa
Espalhe o doce de ameixa por cima dos biscoitos. Aqui você decide: com pedaços ou mais lisinho. Eu gosto com pedacinhos porque dá textura.
Camada 4: beijinho cremoso
Agora vem a camada que faz as pessoas suspirarem: o beijinho cremoso. Espalhe com carinho, alisando com a espátula.
Repita as camadas:
- Creme base
- Biscoito
- Ameixa
- Beijinho
Até acabar. Normalmente dá 2 a 3 “andares”, dependendo da travessa.
5) Finalização caprichada
Finalize com uma camada de beijinho ou creme base (eu gosto de fechar com beijinho, fica bem “olho de sogra”). Polvilhe coco ralado por cima e decore com ameixas. Se quiser um toque mais sofisticado, coloque raspinhas de chocolate branco ou até lascas finas de coco fresco.
6) Geladeira: o descanso que transforma tudo
Cubra com plástico-filme (encostando levemente na superfície, se quiser evitar película) e leve à geladeira por no mínimo 4 horas. Se puder deixar 8 a 12 horas, ele fica perfeito: as camadas se abraçam, o biscoito amacia na medida e o corte fica lindo.
Truques para um Pavê Olho de Sogra ainda mais cremoso e estável
- Amido bem dissolvido antes do fogo = creme sem grumos.
- Creme de leite no final = textura aveludada e menos risco de talhar.
- Montagem com tudo morno/frio = camadas firmes e bonitas.
- Geladeira sem pressa = pavê com corte de cinema.
Variações que funcionam muito bem
Com chocolate
Faça uma camada extra de ganache (chocolate meio amargo + creme de leite) ou polvilhe cacau por cima. Ameixa com chocolate é casamento antigo e feliz.
Com bolacha champagne
Se você quiser cara de sobremesa de festa, use champagne. Ela absorve o creme de um jeito maravilhoso.
Sem gemas
Se preferir, dá pra fazer o creme base sem gemas: aumente o amido para 3 colheres (sopa) e capriche na baunilha. Fica ótimo também.
Sugestões de acompanhamento e ocasiões ideais para servir
Esse pavê é perfeito para almoço de domingo, aniversário, ceia de Natal (ameixa sempre aparece nessas épocas, né?) e até aquele jantar com visita em que você quer impressionar sem passar o dia na cozinha. Pra acompanhar, eu gosto de:
- Café coado (clássico que não falha)
- Chá preto ou chá de canela (combina com o doce de ameixa)
- Uma bola de sorvete de creme do lado, quando a ideia é “vamos exagerar com classe”
Conclusão
No fim das contas, o Pavê Olho de Sogra cremoso tem esse poder de transformar um dia comum em um dia especial: você monta com calma, geladeira faz a mágica, e quando serve… pronto, silêncio respeitoso na mesa, só colher batendo no fundo da travessa.
E o melhor é que ele tem aquele jeitinho de sobremesa afetiva, de receita que passa de mão em mão, com gente pedindo “me manda como você fez”. Faz, serve geladinho e compartilha. Cozinhar é isso: um jeito delicioso de dizer “eu me importo” sem precisar de discurso.




