Sabe aquela sobremesa que começa simples, mas vai ganhando corpo, perfume e cremosidade até virar um abraço servido na tigela? Pois é exatamente isso que acontece quando a gente faz mungunzá de milho amarelo cremoso. Ele tem cara de festa, gosto de memória e um talento especial: juntar todo mundo na cozinha “só pra provar uma colherzinha” (que vira duas, três, e quando você vê já tem gente raspando o fundo da panela).
E o melhor é que, apesar de parecer coisa de avó com superpoderes culinários, o mungunzá é bem democrático: dá pra fazer com calma num domingo chuvoso, ou preparar antes de um encontro com amigos, ou ainda virar a estrela de um lanche da tarde caprichado. Hoje eu vou te guiar nesse caminho cremoso com dicas de cozinheira vivida: como deixar o milho macio no ponto certo, como perfumar o caldo sem exagerar e como chegar naquela textura aveludada que faz a gente fechar o olho na primeira colherada.

Ingredientes do Mungunzá de Milho Amarelo Cremoso
- 2 xícaras (chá) de milho para mungunzá (milho amarelo de canjica)
- Água para deixar de molho e para cozinhar (quantidade suficiente)
- 1 litro de leite integral
- 1 lata de leite condensado (395 g)
- 200 ml de leite de coco
- 1 caixinha de creme de leite (200 g)
- 1/2 xícara (chá) de açúcar (opcional, ajuste ao seu gosto)
- 1 pau de canela
- 4 a 6 cravos-da-índia
- 1 pitada de sal (sim, faz diferença no sabor)
- 1/2 xícara (chá) de coco ralado (fresco ou seco)
- 1 colher (chá) de baunilha (opcional, mas fica um perfume lindo)
- Canela em pó para finalizar
Para deixar ainda mais especial (opcionais)
- 1/2 xícara (chá) de amendoim torrado e triturado (dá crocância)
- 50 g de castanha de caju picada
- Raspinhas de limão (bem pouquinho, só pra levantar o aroma)
Antes de começar, deixa eu te contar o “truque da vida real”: o utensílio manda no resultado. Se você tiver panela de pressão, a maciez do milho chega muito mais rápido e com menos esforço. Se não tiver, dá certo também na panela comum, só precisa de um pouco mais de tempo e carinho (e um olho na água).
Para esta receita, você vai usar:
- 1 panela de pressão (ou panela grande de fundo grosso)
- 1 colher de pau ou espátula
- 1 peneira (pra escorrer o milho)
- 1 medidor ou xícara padrão
Tempo de preparo (média):
- Molho: 8 a 12 horas (ou pelo menos 4, se estiver na correria)
- Cozimento do milho: 25 a 35 minutos na pressão (ou 1h30 a 2h na panela comum)
- Finalização cremosa: 20 a 30 minutos
Agora sim, amarra o avental e vem comigo.
Modo de preparo da receita
1) O molho que muda tudo
Coloque o milho de mungunzá numa tigela grande e cubra com bastante água (uns quatro dedos acima do milho). Deixe de molho por 8 a 12 horas.
Se você estiver com pressa, deixe pelo menos 4 horas, mas saiba: quanto mais tempo de molho, mais macio o grão fica e mais fácil ele cozinha.
Depois do molho, escorra e lave o milho em água corrente. Ele já vai estar mais gordinho e com cara de “tô pronto pra virar sobremesa”.
2) Cozinhando o milho até ficar macio de verdade
Na panela de pressão:
Coloque o milho escorrido na panela, cubra com água (uns três dedos acima) e tampe. Quando pegar pressão, conte 25 a 35 minutos.
Desligue e espere a pressão sair naturalmente. Abra e teste um grão: ele precisa estar macio, mas ainda com estrutura (não é pra virar papa nessa etapa).
Na panela comum:
Coloque o milho, cubra com água e deixe cozinhar em fogo médio, mexendo de vez em quando e repondo água quando necessário. Pode levar de 1h30 a 2h, dependendo do milho e do tempo de molho.
Aqui o segredo é paciência e água sempre suficiente, porque milho gosta de conforto.
Quando o milho estiver macio, escorra uma parte da água, mas não jogue tudo fora de uma vez. Às vezes, um pouquinho daquele caldo ajuda no ponto final (especialmente se estiver engrossando rápido demais depois).
3) Hora de perfumar: leite, especiarias e aquele cheirinho de festa
Volte o milho cozido para a panela (de preferência uma de fundo grosso).
Adicione o leite integral, o pau de canela, os cravos e a pitada de sal. Mexa bem e leve ao fogo médio.
Deixe ferver e então abaixe o fogo. Agora é aquele momento cozinha-raiz: cozinhar lentamente, mexendo de vez em quando, pra o milho beber o leite e ficar ainda mais macio e saboroso. Conte uns 10 a 15 minutos.
Dica de ouro: se você ama especiarias, controle a empolgação. Cravo e canela são maravilhosos, mas dominam fácil. Melhor começar com pouco e ajustar depois.
4) A doçura entrando com delicadeza
Agora acrescente o leite condensado. Misture bem e mantenha o fogo baixo. Cozinhe por mais 10 minutos, mexendo para não grudar no fundo.
Prove. Se você gosta mais docinho (estilo sobremesa de festa), adicione parte do açúcar. Eu costumo deixar o leite condensado mandar na doçura, e só coloco açúcar se o milho estiver bem “forte” e eu quiser equilibrar com mais doçura.
5) O pulo do gato: leite de coco, coco ralado e cremosidade final
Adicione o leite de coco e o coco ralado. Misture e deixe cozinhar mais 10 minutos, mexendo com carinho.
Aqui você vai ver a transformação: o líquido vai encorpar, o perfume vai subir e a textura vai ficar com cara de “sobremesa de respeito”. Se estiver muito grosso, adicione um pouco da água do cozimento reservada ou um pouquinho de leite. Se estiver muito ralo, deixe reduzir mais alguns minutos.
6) Creme de leite para aveludar (e não talhar)
Desligue o fogo e espere 1 minutinho (não precisa esfriar, é só tirar a fervura forte do caminho).
Aí sim, coloque o creme de leite e misture até ficar bem uniforme. Ele dá aquele toque aveludado, deixando o mungunzá com textura de colher e cara de sobremesa chique, sem perder a alma caseira.
Se for usar baunilha, é agora: coloque e mexa. Fica um perfume elegante, especialmente se você for servir para visitas ou quiser um toque “confeitaria da roça”.
7) Ajuste de ponto: como saber se está perfeito
O mungunzá perfeito é aquele que:
- tem grãos macios, mas inteiros;
- tem caldo cremoso, que envolve a colher;
- e ao esfriar, fica ainda mais encorpado.
Ou seja: se ele parecer “um tiquinho mais líquido” quente, não se desespere. Depois de uns 20 minutos fora do fogo, ele ganha corpo. E na geladeira então… vira quase um pudim de colher.
8) Finalização e serviço
Retire o pau de canela e os cravos (se achar). Eu digo “se achar” porque cravo é especialista em se esconder como se fosse missão secreta.
Sirva em tigelas e polvilhe canela em pó por cima.
Você pode servir:
- Quente, com aquela cara de aconchego.
- Morno, perfeito pra tarde.
- Gelado, maravilhoso em dias quentes (e fica bem cremoso).
Sugestões de acompanhamento e ocasiões ideais para servir
Acompanhamentos que combinam demais
- Amendoim torrado triturado por cima: crocante, perfume e sabor de festa junina.
- Castanha de caju ou castanha-do-pará: dá um toque mais sofisticado.
- Uma colherada de doce de leite por cima (se você quer causar).
- Frutas: banana em rodelas ou pedacinhos de manga (parece ousado, mas fica gostoso).
- Café coado bem forte do lado: combinação clássica de respeito.
Ocasiões ideais
- Festa junina e julina (ele é praticamente “membro da família”).
- Lanche da tarde de domingo, quando a casa pede cheirinho bom.
- Reunião com amigos, porque rende bem e agrada geral.
- Sobremesa de almoço em família, especialmente quando todo mundo quer algo caseiro e cremoso.
Conclusão
Fazer mungunzá de milho amarelo cremoso é daqueles gestos culinários que transformam um dia comum em dia especial. A panela vai borbulhando, o cheiro toma conta, e quando você vê, tem gente na cozinha perguntando se já pode provar. E pode, viu. Aqui a regra é clara: provar faz parte do processo, porque cozinhar também é alegria.
No fim, essa receita é mais do que uma sobremesa: é um jeito de reunir, acolher e dizer “senta aqui, come um pouco, fica mais um pouco”. E se sobrar (o que é raro), no dia seguinte ele fica ainda melhor. Agora me conta: você gosta do mungunzá mais quentinho e perfumado ou gelado e bem encorpado?




