Tem receitas que parecem um abraço de avó com tempero de feira: você começa só querendo “um feijão bem feito” e, quando percebe, a cozinha está cheirando a almoço de domingo e todo mundo aparece perguntando “tá pronto?”. Esse Feijão com Maxixe, Batatas, Carne Seca, Cenoura e Quiabo é exatamente assim: uma mistura bem brasileira, cheia de textura, cor e sustância, que transforma ingredientes simples em um prato que dá vontade de repetir sem cerimônia.
E olha que delícia: aqui a gente junta o feijão com uma turma animada de legumes (maxixe, batata, cenoura e quiabo) e ainda coloca carne seca para entrar com aquele sabor profundo, marcante, que parece tempero de história antiga. É o tipo de comida que “conversa” no fogão, faz barulhinho bom na panela e te deixa com a sensação de missão cumprida. Então bora amarrar o avental e fazer essa maravilha acontecer?

Ingredientes do Feijão com Maxixe, Batatas, Carne Seca, Cenoura e Quiabo
Para o feijão e a carne
- 2 xícaras (chá) de feijão (carioquinha ou fradinho ficam ótimos; preto também funciona)
- 300 a 500 g de carne seca (charque) dessalgada e em cubos
- 1 folha de louro (opcional, mas eu amo)
- Água o quanto baste (para cozinhar o feijão)
Para o refogado (a alma do prato)
- 2 colheres (sopa) de óleo, banha ou azeite
- 1 cebola grande bem picadinha
- 4 dentes de alho amassados ou picados
- 1 tomate maduro picado (opcional, mas ajuda a dar cor e acidez)
- 1 colher (chá) de colorau ou páprica (opcional)
- 1 colher (chá) de cominho (opcional, use se você gosta)
- Pimenta-do-reino a gosto
- Cheiro-verde a gosto (coentro ou salsinha; ou os dois, porque a vida é curta)
Os legumes que viram festa
- 2 cenouras médias em rodelas ou meia-lua
- 2 a 3 batatas médias em cubos
- 200 a 300 g de maxixe (lavado e em rodelas; pode tirar as pontinhas)
- 200 a 300 g de quiabo (lavado, bem seco e em rodelas)
- 1 colher (sopa) de vinagre ou suco de limão (truque para o quiabo ficar no seu devido lugar)
Ajustes finais
- Sal a gosto (com calma, porque a carne seca já traz sal)
- Um fio de azeite ou manteiga de garrafa (opcional, mas deixa o final chique no sabor)
Antes de começar, deixa eu te contar como eu faço para esse prato ficar com cara de “comida feita com carinho”: eu cuido da carne seca como se ela fosse estrela de novela (dessalgar direitinho), respeito o tempo de cada legume e faço um refogado caprichado, porque é ele que amarra tudo num sabor só, redondinho, que não precisa de muito enfeite.
Utensílios e tempo de preparo
Você vai precisar de:
- 1 panela de pressão (facilita muito o feijão e a carne)
- 1 panela grande ou uma caçarola funda (para finalizar com os legumes)
- Faca afiada e tábua
- Escorredor e tigelas
Tempo médio:
- Dessalga da carne seca: de 8 a 24 horas (passivo, você só troca a água)
- Preparo e cozimento: 60 a 90 minutos (dependendo do feijão e do ponto que você gosta)
- Rendimento: serve 6 a 8 pessoas com alegria
Se você já tem carne seca dessalgada, a receita fica bem mais rápida e vira coringa de semana.
Modo de preparo da receita
1) Dessalgando a carne seca (pulo do gato para não “salgar a amizade”)
- Corte a carne seca em cubos médios.
- Coloque em uma tigela grande, cubra com água e leve à geladeira.
- Troque a água a cada 3 ou 4 horas, se puder. Deixe de 8 a 24 horas, conforme a carne for mais salgada.
- No dia de cozinhar, escorra e enxágue.
Dica de cozinheira que já passou por isso: se você estiver com pressa, dá para fazer uma dessalga “de emergência” fervendo a carne por 10 minutos, descartando a água e repetindo mais uma vez. Não é igual à dessalga lenta, mas salva o almoço.
2) Cozinhando o feijão (com calma e carinho)
- Escolha e lave o feijão.
- Se tiver tempo, deixe de molho por 6 a 8 horas. Isso ajuda na digestão e no cozimento.
- Coloque o feijão na panela de pressão, cubra com água (uns 3 dedos acima) e adicione o louro.
- Cozinhe na pressão:
- Feijão carioca: 20 a 25 minutos após pegar pressão
- Feijão fradinho: 10 a 15 minutos
- Feijão preto: 25 a 30 minutos
- Desligue e espere a pressão sair naturalmente.
Eu gosto do feijão cozido, mas ainda com o grão inteiro, porque ele vai cozinhar mais quando entrar na festa dos legumes.
3) Cozinhando a carne seca (para ela ficar macia e generosa)
Você tem duas opções, e as duas funcionam:
Opção A (mais prática): junto com o feijão
- Se a carne já estiver bem dessalgada, você pode cozinhar na pressão com o feijão, colocando os cubos junto.
Só cuide para a carne não “sumir” de tão desmanchada; cubos grandes ajudam.
Opção B (controle total): cozida separada
- Coloque a carne dessalgada na pressão com água para cobrir.
- Cozinhe 25 a 35 minutos após pressão, até ficar macia.
- Escorra e reserve.
Se quiser, desfie um pouco e deixe outra parte em cubos: fica lindo no prato, com texturas.
Eu particularmente adoro a opção B quando quero o caldo do feijão mais limpo e a carne com o ponto perfeito.
4) O refogado que faz todo mundo perguntar “o que você colocou aqui?”
- Em uma panela grande (caçarola), aqueça o óleo/banha/azeite.
- Refogue a cebola até murchar e começar a dourar.
- Entre com o alho e mexa até perfumar (sem queimar, pelo amor do fogão).
- Adicione o tomate (se usar), o colorau/páprica e o cominho.
Mexa e deixe “virar uma pastinha” aromática.
Esse refogado é a ponte entre o feijão e os legumes. É aqui que a mágica acontece.
5) Dando um trato no quiabo (sem drama e sem baba)
- Lave o quiabo e seque muito bem com pano limpo ou papel-toalha.
- Corte em rodelas.
- Misture com 1 colher (sopa) de vinagre ou suco de limão.
Agora ele está pronto para entrar no prato sem virar “novela mexicana” na panela.
6) Montando o prato: a hora em que tudo se encontra
- Coloque a carne seca cozida no refogado e mexa para envolver no tempero.
- Acrescente o feijão cozido com um pouco do caldo (vá aos poucos para controlar a consistência).
- Adicione a cenoura e cozinhe em fogo médio por 8 a 10 minutos, com tampa, mexendo de vez em quando.
- Entre com a batata e cozinhe mais 10 a 15 minutos, até começar a ficar macia.
- Acrescente o maxixe e deixe cozinhar mais 8 a 12 minutos.
- Por último, entre com o quiabo e cozinhe por 5 a 8 minutos, só até ele ficar macio, mas ainda verdinho e inteiro.
A ordem é importante: cenoura e batata pedem mais tempo; maxixe cozinha relativamente rápido; quiabo entra por último para não desmanchar e nem “dominar” o caldo.
7) Ajustes finais: o toque de cozinha experiente
- Prove o caldo e ajuste o sal com cuidado.
- Coloque pimenta-do-reino a gosto.
- Finalize com cheiro-verde generoso.
- Se quiser um acabamento especial: um fio de azeite ou um tiquinho de manteiga de garrafa por cima, bem na hora de servir.
Se o caldo estiver muito grosso, adicione um pouco de água quente. Se estiver muito ralo, deixe ferver sem tampa por alguns minutos para encorpar.
Sugestões de acompanhamentos e ocasiões ideais para servir
Esse prato é o rei da mesa farta. Ele combina com coisas simples e certeiras:
Acompanhamentos que casam perfeitamente
- Arroz branco soltinho: o clássico que abraça o caldo.
- Farofa: de manteiga, de alho, de cebola, ou com banana-da-terra se você quiser fazer bonito.
- Couve refogada: para trazer frescor e contraste.
- Vinagrete: sim, vinagrete com feijão encorpado fica maravilhoso, porque corta a gordura da carne seca.
- Pimenta caseira: para quem gosta de emoção.
Ocasiões ideais
- Almoço de domingo com a família toda (aquele momento em que a panela vira atração principal).
- Reunião de amigos em casa, estilo “cada um traz uma coisa”, e você leva o prato que todo mundo elogia.
- Semana corrida: você faz uma panela grande e tem comida pronta por dias, porque ele reaquece como um sonho.
E vou te dizer: no dia seguinte, ele fica ainda mais gostoso, porque os sabores assentam e viram aquela coisa “redonda”.
Conclusão
Cozinhar um Feijão com Maxixe, Batatas, Carne Seca, Cenoura e Quiabo é como montar uma roda de conversa dentro da panela: cada ingrediente chega com sua personalidade, mas no fim todo mundo se entende e vira uma delícia só. É comida com cara de Brasil, com sustância e afeto, daquelas que fazem a gente desacelerar e aproveitar.
Se você fizer, sirva com arroz e uma farofa caprichada, chame quem você gosta para a mesa e repare como a cozinha tem esse poder bonito de juntar gente. Porque no fim das contas, o tempero mais importante sempre é o mesmo: o prazer de compartilhar.




